Pucci Sessentona

A marca do italiano Emilio Pucci comemora 60 anos em 2007. O príncipe das estampas tem uma história e tanto no mundo da moda, e a comemoração é merecida. As suas estampas geométricas ultracoloridas encantam desde os anos 60, e pouca gente imagina o quão além da estampa Emilio foi. Mas, para celebrar os 60 anos de sucesso, o site da marca lançou uma linha do tempo, que remonta a história da Pucci, com fotos desde 1947 até os anos 2000. Vale a pena clicar abaixo e conferir.

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Nem todo mundo sabe que o estilista começou fazendo roupas esportivas, para esquiar, e patenteou vários tecidos durante sua carreira, como o jérsei de seda. Seu estilo inconfundível é imitado até os dias de hoje, sinônimo de elegância e vanguarda. Depois da morte do estilista, a marca ficou sob os cuidados de sua filha Laudomia. Mas com a venda da marca para o todo-poderoso grupo LVMH (aquele dono de meio mundo das marcas luxuosas, dá até medo), o responsável por levar as criações adiante passou a ser o queridinho da alta-costura contemporânea, Christian Lacroix. Continuamos amando e querendo Pucci mais do que nunca. Mas… mmmmm… com saudades de Emilio.

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E por falar em curvas…

Falei da super linda e cheinha Nigella no post anterior e me lembrei de Big Girl, a ode às gordinhas que o cantor pop Mika gravou em seu disco-chiclete de estréia, Life in Cartoon Motion.

Mika é a última coca-cola geladinha do deserto, nas atuais circunstâncias do cenário da música pop. E ele também é muito estilosinho, eu mesma já me inspirei em alguns looks dele para me vestir. Porém não agüento mais ouvir Grace Kelly. Mas o cd é realmente bom, e sua música soa como uma divertida novidade, mesmo carregando influências pesadas de grandes artistas como Elton John e Freddie Mercury (de quem emprestou também os trejeitos, na maior cara-de-pau).

O terceiro single do cd, Big Girl, é uma homenagem às mulheres gordinhas. E é super divertida. Confira o clipe, saído direto do forno:

Minha irmã caçula, que gosta consideravelmente do Mika, ao ouvir minha babação de ovo em cima do lindinho dizendo “Ah, que lindo! Ele gosta de gordinhas! Esse cara não existe! Que homem!” soltou a seguinte pérola: “Sei… É óbvio que ele faz música dizendo que as gordinhas são lindas. É muito fácil quando você não pega mulher…” Ummmm… É vero! Ouvi a música de novo e fiquei imaginando o Ney Matogrosso compondo uma homenagem às corpulentinhas também. Vou ter que concordar com ela. O sonho e a motivação existe, mas os homens ainda querem a Gisele Bündchen.

Sensorial trip culinária

Bom, a proposta desse blog nunca foi ser somente um blog de moda. É que essa é minha formação, então a tendência é que eu acabe escrevendo mais sobre moda do que eu pretendia. Mas a proposta é escrever sobre todas as coisas que aguçam os meus sentidos. E os sentidos dos outros também…

E por falar em sentidos, um dos meus sentidos preferidos é o paladar. Siiiim, eu faço parte do clube dos bons de garfo, e isso é um tormento quando se tem que lutar com a balança também. De qualquer forma, o paladar é um negócio que mexe comigo, não só no que diz respeito à comida, mas de uma maneira geral. Pode ser num beijo (de língua, sem língua, selinhos), numa lambida (ui!), até num escovar de dentes… Agora, quem realmente mexe com meu paladar é uma mulher. Epa, calma aê! Não é o que vocês estão pensando… hehehe… Explico.

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A mulher é uma chef britânica chamada Nigella. Sim, britânica. Tanto se fala mal da cozinha britânica. Bem… eu nunca morei por lá (e até pretendo!), mas essa mulher certamente mudou meus conceitos sobre culinária. O divertido sobre Nigella é que, apesar de linda, ela é uma glutona. Sim, isso mesmo que você leu: G-L-U-T-O-N-A. Pode até ser que eu receba comentários indignados de fãs da moça, mas calma aí, porque eu também sou fã. E quem é fã de verdade tem que admitir: ela é brutaaaa! Glutona sim:

glutão fem. glutona Do Lat. glutone Adj. e s. m., que ou o que come muito e com avidez; comilão; voraz.

Sim, Nigella é voraz nas garfadas. E é divertidíssima, porque ela faz questão de assumir isso sem maiores complicações. No seu programa de televisão, transmitido no Brasil pela Net/Sky, Nigella apresenta receitas nem um pouco lights, totalmente baseadas no prazer de comer. Hedonismo culinário na sua mais pura forma. Ama cozinha à moda antiga, sem aquela ladainha de gordura vegetal e etc… Não, ela usa manteiga da mais gorda mesmo, sem dó nem peidade. Ama frituras mais que tudo. Sua guloseima preferida para comer sozinha é orelha de porco fatiada fininha e, obviamente, frita. Chocólatra também, claro. Chegou ao cúmulo de empanar chocolatinhos do tipo “prestígio” e fritá-los, para uma experiência mais interessante. E a bela devora cada imenso prato (acredite em mim, o prato dela é sempre IMENSO) que faz ao final do programa, na cara dura. E o telespectador fica lá olhando, idiótico, babando naquele pedaço imenso de cheesecake (aliás, foi somente com Nigella que a minha cheesecake antes maçuda virou um pedaço do paraíso)… Pelo menos é garantia de que ficou bom, né? Ou seja, ela é tudo o que eu gostaria de ser mas que faço de um tudo para evitar sê-lo. Oh, vida paradoxal…

Você deve se perguntar: Como essa mulher não é obesa mórbida ainda? Bom, ela pode ser glutona, mas é bem esperta. E também não é magrinha. Faz o tipo bem encorpada, cheinha, curvilínea. Mas ela confessa que, graças ao seu imenso talento e inventividade culinária, ela tem que se submeter vez ou outra a uma dieta básica. Mas até os pratos de dieta da Nigella (que ela já mostrou no programa uma vez), são tão convidativos e interessantes que eu não veria problema nenhum em ter que fazer mais uma dietinha nessa minha vida…

As receitas de Nigella geralmente não são complicadas, porque ela odeia ter trabalho na cozinha (além de tudo é preguiçosa! ai, meus 7 pecados capitais… hehehe), o que torna as coisas ainda mais convidativas para reles mortais como eu que não tem tanta aptidão. Se você também tem um mestre-cuca tresloucado e reprimido dentro de você, chegou a sua vez: no site oficial da linda cozinheira você encontra ainda um mooooonte de receitinhas para se divertir. Um brinde ao paladar!

Frio, né?

É oficialmente inverno a partir de hoje. Mas aqui em Brasília é sempre verão. É engraçado abrir a janela e dar bom dia para uma Brasília ensolarada, porém bem agasalhada. Agasalhada, sim. Afinal de contas, podemos até não ter frio aqui no planalto central, mas a moda invernal chega, faz e acontece por essas bandas também. E o inverno 2007 nos permite muita coisa legal, como as ankle boots que deixam nossas pernocas de fora ou os vestidinhos… que também deixam as pernocas de fora, ora bolas!

E o SPFW acabou. Foi uma edição bem bacana, com algumas surpresas interessantes e, alguns diriam, descabidas, como só Herchcovich’s da vida sabem fazer. Mas foi legal acompanhar. O último dia nem selecionei fotos e nem pretendo. Dos que vi, não foi realmente empolgante, portanto caso você queira ver as fotos, pode clicar neste link e cair de boca nos últimos desfiles que fecharam o evento.

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Quanto mais teatral a moda, penso eu, melhor. Principalmente quando falamos de desfiles. É realmente puro marketing, é show, é purpurina em cima de conceitos que serão vendidos. Por isso, a única coisa que me chamou atenção realmente foi o desfile de Jefferson de Assis, com modelos que entravam em cima de velhos pianos de madeira na primeira parte do desfile, levados por um trilho no chão. Teve até uma que entrou segurando uma tuba imensa! Coisas divertidas…

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Outra que me surpreendeu: acabou o desfile de Érika Ikezili, e a peça que eu mais queria e não conseguia parar de olhar: a blusa/vestido que a própria estilista estava usando! Tinha uma parecida no desfile, mas a dela era tãããão mais bonitinha… É, o melhor realmente guardamos para nós mesmos, né?

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27 desfiles, 27 looks que abalam!

Difícil selecionar os meus preferidos dos últimos desfiles até esta segunda. Teve desfile em que eu amei simplesmente todas as peças (meu favoritinho Ronaldo Fraga) e teve desfile em que eu não gostei de nada (Lorenzo Merlino). Vamos conferir.

A Água de Coco trouxe a minha modelo preferida de todos os tempos: Isabeli!!! E trouxe também drapeados e bikinis em lycra cintilante. Um show, claro. Mas o cintilante é tendência forte que a Cia. Marítima e até a Poko Pano também mostraram.

Isabela Capeto e seu look bucólico, batinha super 70’s…

A gente mal acredita que é o mesmo Alexandre Herchcovitch que assina a coleção da Cori. A bermudona com cintão é o meu must have!

André Lima e seu vestidão estampadão. Poderoso.

Look completamente “grifado, pero soy nerd” da Cavalera. Repare que as logomarcas são todas alteradas, um show! Eu quero já!

Uma sandália com jeitão de ankle boot ou uma ankle boot com jeitão de sandália? Não importa. O importante é que ficou divina em preto ou dourado, principalmente acompanhando o conjunto vermelho tomate!

O Bolsão futurista da Giselle Nasser e sua sandália meia pata pesadona são outros must have.

Mais uma referência ao smoking, dessa vez da Iódice. Uma gracinha!!!

A regata com estampa de garrafas de Jefferson Kulig! Muito cool!!!

O look branco total de Lino Villaventura. Aliás… todos os looks eram brancos. E os modelos estavam usando umas lentes brancas muuuuuito sinistras. Medo!

A única coisa que me arrancou um sorriso no desfile do Lorenzo Merlino, a sunga com suspensórios!!! Aliás, não foi sorriso, foi gargalhada… Fala sério, até na sunga???

Blazer, bermuda e camisa estampadinha no desfile do Mario Queiroz. E ainda ficou chique!

Mais futurismo prateado, só que dessa vez a silhueta é ovo, no desfile do portuga Miguel Vieira. Sim, muito bonitinho!

Não faço idéia do que seja isso, se é maiô com saída de praia grudada ou coisa parecida, eu não sei… É da Movimento. E é lindo e eu adorei! Se alguém souber o que é, favor brindar-me com um comentário explicativo, ok?

A Neon só desfilou peças maravilhosas. Mas este look com macacão preto é chapéu é meu favoritíssimo!

E a ankle boot texturizada do Reinaldo Lourenço? Outra que tem cara de sandália! Linda!!!

O look oitentinha da Simone Nunes também ficou show. Repare nas mangas arregaçadas do blazer. Muito 80’s!

Sim, somos 70% água. O modelo é 70% sexy e a Vide Bula é 100% ótima!

Eu não resisto a looks masculinos. A V.Rom merecia um oscar da moda masculina! Favoritérrimoooos…

Zigfreda joga com os verdes e o azulão. E acerta em cheio!

A Carlota Joakina fez uma moda mais sóbria nesse verão. Mas eu escolhi esse look pretão básico somente pelas sandálias brancas lindonas, as meias pretas (que Gloria Coelho também desfilou) e o batom azul! Nossa, azul até no batom!!!

O vestido de babados em camadas Do Estilista ficou muito estiloso com as botinhas. É um dos melhores vestidinhos da estação.

Turbante glamuroso e vestido chemise em verdinho fresco. Verão de filme hollywoodiano esse da Huis Clos…

E a meia pata/sandália/ankle boot de Samuel Cirnansck? Que loucura!

O meu mais favorito de todos, Ronaldo Fraga, foi simplesmente impossível escolher um look. Todos eram O MÁXIMO! Mas, se é pra escolher, acho que fico com o look de bermuda xadrez e camiseta estampada com o espiral de um caderno! Lindo!

Anabela Baldaque soube fazer as misturinhas inusitadas que muita gente torce o nariz, mas eu adoro: listras com xadrez vichy!

Gloria Coelho (à sua maneira mais gótica e chic, claro!) trouxe inspirações carnavalescas para o vestido verdinho estampado com máscaras. Claro, o carnaval da Gloria é o de Veneza, provavelmente… E as meias pretas são um luxo! Será que pega no verão?

As memórias de uma noite

“Memoire de la Nuit” é o penúltimo espetáculo da Mostra Internacional de Teatro em Brasília. E, arrisco dizer, o mais instigante de todos. O espetáculo com o título francês é criação do suíço Phillip Böe, com texto em inglês e inspirado nos quadros do belga René Magritte. Eu sei, parece uma bagunça cultural. E é mesmo. O que sempre torna as coisas mais interessantes.

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Böe, um carequinha alto cheio de expressividade.

Phillip Böe é um ilusionista fantástico. E ele quebra as barreiras entre teatro e ilusionismo, com seus movimentos vezes bruscos, vezes sutis, e sempre inesperados. Em “Memoire de la Nuit”, Phillipe encara o palco sozinho, contracenando com objetos que se movimentam surrealisticamente, criando e recriando cenas e referências aos quadros de René Magritte. Böe é um detetive que investiga um assassinato. Ao recriar a cena do crime, tentando entender o funcionamento da mente de um assassino, o detetive é levado aos recônditos de sua própria mente e memórias. O ilusionismo e os elementos surreais (inspirado também no interessante e bizarro David Lynch) fazem o espectador tanto se virar e revirar na cadeira, agoniado, quanto ficar estático, compenetrado, absorto. Loucura pura. E, por isso mesmo, uma delícia!

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O chapéu coco, o céu azul com nuvens, a pomba e o tecido branco que envolve o rosto: elementos recorrentes de Magritte que contracenam com Böe em “Memoire de la Nuit”.

O espetáculo é mais interessante ainda quando se conhece bem o trabalho de Magritte. Mas, com o pouquinho que eu conhecia do pintor surrealista, já foi de encher os olhos. Imagino o estrago que fez na cabeça dos aficcionados por arte sentados na fileira atrás de mim! Phillip Böe é muito competente, tanto como ator quanto como ilusionista. A trama se desenrola em cima de pouco texto, mas a mímica é uma lingüagem muito mais forte do que eu esperava. Certamente guardarei loucas memórias dessa noite nos recônditos da minha mente.

Segunda-feira

E segunda tem mais comentários sobre o SPFW. Esse negócio de tentar fazer em tempo real é muito exaustivo, já que eu não estou exatamente na bienal lá em sampa… Então eu deixo pra fazer meu apanhado geral do finde na segunda. É preciso viver, né?!

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Até lá então.