As agruras do vestir-se

Olha que coisa interessante: Você sempre vai achar que o ato de vestir-se é uma coisa simples e descomplicada, até que você seja um figurinista (ou entusiasta aspirante à figurinista, como no meu caso). Claro que nós mulheres também somos experts em transformar uma tarefinha à princípio descomplicada em algo faraônico impossível de se concluir em menos de duas horas. Mas se já é complicado vestir a si próprio, faça as contas e multiplique o resultado quando se tem que vestir outras pessoas além de si. Idealizar o outfit de alugém pode ser um exercício criativo delicioso para aqueles cujas mentes foram idealizadas especialmente para o ofício de personal stylist.

Um amigo me disse há uns dois dias atrás: “Mas me conta, qual é o mistério realmente? Qual é o problema com vocês mulheres? Pois a roupa é só pra cobrir o corpo mesmo, porque tanta dificuldade para escolher uma roupa?”

Verdade, a roupa é para cobrir o corpo. Mas se fosse só para isso, ainda estaríamos usando pele de animais para cobrir nossos corpos. Meu caro amigo indignado com a epopéia feminina na hora de se vestir esqueceu de uma função importantíssima da roupa: A função de Adorno. Sim, eu diria que essa é a função mais importante da roupa na atual sociedade, e é justamente essa função que move toda a indústria de moda. Afinal de contas, temos roupas o suficiente para não sairmos pelados na rua, mas ainda sim estamos sempre comprando mais. Óbvio que a roupa se desgasta e eventualmente temos que comprar outras, mas isso não ocorre em velocidade proporcional ao que usualmente compramos. Em outras palavras, isso poderia se resumir na resposta que dei ao meu amigo: “É tudo uma questão de ficar bonita!” E, para ficarmos bonitas, se exige um pouco mais de esforço na hora de escolher a roupa.

Se já é complicado ter que escolher um look na hora em que estamos nos arrumando para sair, imagine compor looks para algumas dúzias de pessoas? Mas se torna uma tarefa divertida à medida em que você se acostuma com o fato de que é você quem manda no negócio e pode soltar a franga da imaginação. Isso é que é viagem sensorial. Não precisa perguntar pro seu cliente se ele gostou, porque ele só está lá fazendo o papel dele (vestir-se e atuar) e ponto final. Claro, o ofício exige muito mais pesquisa e suor do que aparenta. É claro também que eventualmente alguém vai ter que aprovar toda a sua loucura figurinística, seja para um filme, televisão ou teatro. Mas até lá, você já vai ter se divertido horrores, se sentindo uma Patricia Fields da vida. Ser figurinista é um barato. Mas, infelizmente, isso não nos isenta do mal comum feminino: parar em frente ao guarda-roupa e soltar aquela máxima: “Ai, não tenho nada pra vestir hoje!”

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