O monstro do bom gosto

Eu achava que depois que ficasse noiva, ia ser tudo um mar de rosas. Afinal de contas, eu venho “planejando” esse evento na minha cabeça desde que eu me entendo por gente. Mais especificamente desde que brincava de noiva com a cortina branca da minha tia na cabeça. Eu alimento uma pasta inspiracional no notebook já tem um bom tempinho, ultrapassando algumas centenas de megabytes. Coleciono revistas de noiva (nenhuma brega, tá?) e já nem tenho mais gavetas pra guardar. Parecia muito simples juntar tudo e dizer: pronto, tá planejado. Mas, infelizmente, não é assim que acontece.

E sabe por que? Porque eu me transformei numa chata perfeccionista. Depois de começar a filtrar o bom do ruim, o brega do refinado, o lixo do luxo, você pega o jeito da coisa. E aí seus olhos ficam afiados o suficiente pra não se contentar com qualquer porcaria que apareça numa revista. Precisa ter o carimbo de aprovação de toda uma comunidade de especialistas casamenteiros da blogosfera ou você não ficará confortável com sua decisão.

A coisa fica realmente grave quando você conhece publicações internacionais do ramo. Quem, em sã consciência, consegue se contentar com qualquer videomaker depois de ver o trabalho sensacional da equipe canadense do Stillmotion? E eles, obviamente, não cobram nada barato. Mas eles são a creme de la creme. Tem outros muito bons a preços mais modestos por lá. A indústria de casamentos super evoluída do hemisfério norte deixa a gente com vontade de chorar por aqui. É claro que tem bons profissionais que sempre despontam, mas isso tem um preço.

Ter bom gosto tem seu preço. Se você tem dinheiro, é muito fácil comprar bom gosto. Mas eu não tenho dinheiro. E equilibrar bom gosto com um evento de baixo orçamento é tão complicado quanto equilibrar um ovo no nariz. Estou tentando dar nó em pingo d’água.

Claro que nem sempre grana significa bom gosto. Olha o caso da Stephany Brito: Ela é uma graça, linda, fofa e casou com o príncipe encantado dela. E o casamento foi uma ode à cafonice. Aquele smoking branco uó que o Pato usou foi o fim! Mas eles tinham a opção, só optaram errado. Já a Sandy, que sempre foi meio cafoninha, fez um casório charmoso (se bem que tinha aquela cara de casório de família rica do interior), usou um vestido lindo, foi tudo fofo. Cada um no seu quadrado, né?

Enfim, ser muito exigente pode te deixar estressada e, pior, decepcionada. E olha que minhas vontades com relação ao casamento nem são nada de espetacular, provavelmente deixariam as mais tradicionais como a Fê de cabelo em pé. Mas é realmente imprescindível que eu não encare isso como um grande problema, um impedimento ao bom gosto. Estou juntando minhas forças e inspirações “a la Sammia” e vou encarar isso como um desafio criativo. If there is a will, there is a way, não é o que dizem?

Mas é aí que você percebe: quando as coisas mais fúteis (não leia esse “fúteis” no pior dos sentidos, tá?) começam a te tirar do sério, a ficha cai e você enxerga o quanto está se preocupando com as coisas erradas. Eu não estou dizendo que querer ter lindos arranjos de flores, cadeiras bonitas e lounges com puffs de tecido personalizado seja um pecado mortal, futilidade de última grandeza nem nada. Mas venhamos e convenhamos, isso é assim tão essencial pro grande dia ser realmente GRANDE?

Eu lembro de ter ido a um casamento de um familiar querido. Não teve festa, jantar, etc. Teve bolo. Eu lembro de ter entrado na igreja e odiado a decoração. Achei estranhérrima. Mas era exatamente o que a noiva queria, pelo que me falaram. Do momento em que a noiva entrou na igreja até o momento em que fui embora, não consegui pensar outra coisa a não ser que esse era um dos casamentos mais lindos que eu já presenciara. Um casamento cujas escolhas “visuais” passariam longe das minhas. Cadeiras, cores, flores, etc. De repente, nada disso importa muito quando se sente felicidade e emoção emanando pelos olhos de uma pessoa que a gente ama.

No fim das contas, o que faz realmente falta num casamento, já dizia uma avó de noiva muito sábia, são as coisas básicas: o noivo, a noiva, um vestido lindo e um pastor. Ou o padre, ou quem quer que vá conduzir a cerimônia. Se uma dessas coisas faltar, vai fazer muita falta REALMENTE. Do contrário, ninguém vai sentir muita falta das flores sensacionais, dos puffs, etc. E é disso que eu tenho que me lembrar todos os dias até o dia de dizer SIM. E manter o bom gosto pra me manter feliz na medida do possível, mesmo quando tudo o que eu tenha em mãos seja alguns fornecedores meia-boca. Mas nunca deixar que o bom gosto se transforme nesse montro que, convenhamos, é de muito mau gosto. Got it?

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